Rodrigo Santos Andrade share

Visão sobre economia criativa está amadurecendo, diz fundador do Rio2C

visibility comment0 event junho 1, 2026 timer 15:59

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Em sua oitava edição, o Rio2C é um dos espaços que ajudou a difundir o debate sobre a dimensão econômica da cultura e sua importância para o desenvolvimento do país.

Idealizador do evento, que terminou no último domingo (31), no Rio de Janeiro, com um balanço de 55 mil participantes, Rafael Lazarini acredita que o encontro vive hoje um momento de maturidade institucional e de reconhecimento da economia criativa como agenda estratégica para o país.

Notícias relacionadas:Debate no Rio2C destaca inovação, TV 3.0 e incentivo ao audiovisual.EBC e MinC assinam acordo para integrar acervo ao Tela Brasil.Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras.“A edição de 2026 foi marcada pela confirmação da internacionalização do Rio2C e pelo fortalecimento institucional do projeto. O Rio2C se posiciona hoje como um evento setorial de ponta”, afirmou.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Lazarini falou sobre a trajetória do encontro, o avanço da economia criativa no país, o conceito de soft power e os impactos da inteligência artificial na produção cultural.

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Leia a entrevista completa

Agência Brasil: O Rio2C nasceu ligado ao audiovisual e hoje reúne diversos segmentos da economia criativa. Como aconteceu essa transformação?

Rafael Lazarini: A gente nem chama de evento. A gente chama de encontro e movimento. O Rio2C surgiu originalmente ligado ao audiovisual e, ao longo dos anos, fomos aproximando outros setores das indústrias criativas, como música, games, publicidade, moda, arquitetura e design. Hoje, ele se tornou uma mistura de conferência, mercado de negócios e festival.

Agência Brasil: Você costuma defender que cultura também é indústria. Essa visão ainda enfrenta resistência?

Lazarini: Enfrentava muito mais no começo. Quando começamos a falar de economia criativa, causava estranhamento. Parecia quase impuro misturar cultura e indústria. Mas a criatividade também gera emprego, renda e desenvolvimento. Hoje, vemos secretarias de cultura se transformando em secretarias de economia criativa. Isso mostra uma mudança importante de mentalidade.

 

Encontro de criatividade, inovação e negócios Rio2C ocupa a Cidade das Artes, na zona oeste do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil: O Rio2C também passou a discutir com mais intensidade o conceito de soft power. O que significa isso?

Lazarini: Soft power é a capacidade de um país influenciar o mundo pela cultura, pela arte, pelo audiovisual, pela música, pela imagem que projeta. Hollywood fez isso com os Estados Unidos durante décadas. A Coreia do Sul também entendeu isso muito bem recentemente. O Brasil sempre teve uma potência cultural enorme, mas muitas vezes sem planejamento estratégico.

Agência Brasil: O Brasil vive hoje uma mudança nesse entendimento sobre cultura e desenvolvimento?

Lazarini: Sim. Acho que estamos chegando num nível de maturidade dessa discussão. A cultura deixou de ser vista apenas como expressão simbólica. Hoje ela também é entendida como geração de riqueza, emprego, inovação e projeção internacional.

Agência Brasil: O tema deste ano do Rio2C foi “Code of Meaning” (Código de Sentido, em inglês). O que motivou essa escolha?

Lazarini: A gente quis provocar os criadores a refletirem sobre propósito. Vivemos uma avalanche de conteúdo, muito dele produzido por inteligência artificial. Então a pergunta é: o que realmente importa? O que faz sentido? Existe uma necessidade crescente de voltar ao pensamento criativo original, à troca humana, à intuição.

Agência Brasil: O Rio de Janeiro ocupa um lugar central nessa construção?

Lazarini: Sem dúvida. Uma das nossas grandes missões era reposicionar o Rio de Janeiro como capital cultural e criativa do Brasil. O Rio perdeu espaço político e econômico ao longo do tempo, mas a vocação criativa da cidade continua muito forte. O Rio2C ajuda a fortalecer essa percepção de que criatividade também é desenvolvimento.

 

Encontro de criatividade, inovação e negócios Rio 2C ocupa a Cidade das Artes, na zona oeste do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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